Deusa Peséfone

Deusa Peséfone
A romã, símbolo de imortalidade, selou seu destino. O que selará o meu?

sábado, 11 de setembro de 2010

Aquilo que é falso...

Hoje, eu estou esperando você, apesar de saber que você não vem. E essa espera me oprime e faz com que eu me sinta só e idiota, afinal, por que esperar quando já sei que não virá?
No amanhecer, pensei em você. E penso agora novamente, quando já anoitece. É como se eu pensasse sempre. Como se fosse necessário tal pensamento para você existir. Talvez nem exista... É bem provável que o tenha criado.
Sim, eu o criei. Por meio de gestos, olhares e intenções tão ocultas quanto as sombras que se formam nos olhos daqueles que amamos, mas que não nos amam...
Vê? Eu te criei. E agora, quando gostaria de destruí-lo e não mais esperá-lo, vejo que a criação é sempre forte e mais rápida do que a desilusão...
Ilusão. É tudo ilusão.
Então por que tão pungente?
Por que tão impertinente?
Ilusão e só isso.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Carta a um amor...

Meu querido,

Tudo bem?


Espero que sim… Já faz algum tempo desde que tive notícias suas... Esperei que nos víssemos no fim de semana, mas não...

Assim, imagino saber o que está fazendo, e embora eu tenha pedido que não o fizesse, é óbvio que decidiu agir novamente dessa forma... saindo da vida das pessoas, desaparecendo, evanecendo...

A princípio, eu não quis acreditar, quis estar errada quanto às minhas percepções, porque, afinal, eu sou muito melhor com palavras do que com ações e interpretar as suas ações, em particular, não é tarefa fácil...rs... mas a verdade é que você vem me afastando, empurrando-me para longe e eu acho que não posso mais fingir que não vejo isso...

Então, meu amado, eu devo dizer que percebo suas mudanças e seu afastamento e que cansei de lutar contra eles. E embora o que eu mais queira seja ir atrás de você, eu não irei. Não quero “andar triste por algo que tristeza não merece” e se eu for pensar nas tristezas e nas alegrias do tempo em que estamos juntos, sem dúvida, as ocasiões felizes irão se sobrepor às demais.

Você realmente é adorável, mas também é preocupado demais e eu sou mais carente do que gostaria de admitir e mais intensa também. Infelizmente, eu não me basto. Talvez, se estivéssemos em contextos diferentes, pudéssemos estar verdadeiramente juntos, sem crises, emails duros, sem “suspicious minds”...

Sinto muito a sua falta e acredito que vá continuar sentindo-a por um bom tempo, mas eu não quero ser uma sombra na sua vida ou uma mancha nos seus estudos.

Quero que quando pensar em mim e se pensar em mim, que se recorde das férias que passamos juntos. De fato, foram as melhores férias (acompanhada) da minha vida! E eu nunca me esquecerei delas nem do modo como você me olhava, tocava, e sorria. Você tem um sorriso lindo. Deveria usá-lo mais! Também não vou me esquecer das músicas ou das suas versões para elas. Com você, os dias nunca eram iguais e eu lamento não ter passado todo o mês de julho aqui...

Em suma, eu amo você e quero a sua felicidade, mas também quero a minha. E posto que não acredito mais que estejamos tendo um relacionamento agradável, feliz, um relacionamento que te faça vibrar com saudades minhas... tenho que deixá-lo ir.

Mesmo assim, e embora isso não mude nada, ainda amo você, V. A.!


Beijo

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Novos relacionamentos, novas perspectivas...


"Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém."

John Lennon

terça-feira, 6 de julho de 2010

Clube da Luta


Filme maravilhoso que nos desperta e desafia a deixar nossas cômodas vidas, pautadas em ter o carro do
ano, o apartamento luxuosamente decorado, ou a estética imposta pela mídia.

Clube da Luta é um filme instigante, envolvente e muito inteligente. Em sua crítica ao capitalismo, ele refuta o que nos foi imposto como "verdade" e nos convida a deixar a superficialidade da nossa sociedade.

Nublado

Eu estava sozinha. Sozinha e apagada.


Não sentia nada, nem ouvia coisa alguma...

A vida passava por mim, mas não eu por ela.

Era ela quem escolhia o caminho, o caminhar. Eu só ia e ia...



Até que tu, oh, sol, apareceu e fez tudo brilhar

E eu, que até então tinha estado no breu, reluzi

E eu que tinha deixado de sentir, me iluminei...



Ah! Sol! Como me aqueces!!!



Mas, Sol, quem é esta a teu lado?

Quem é esta que usa o vestal que me pertenceria?

Não me disseste nada sobre teus raios luminosos

e achei que só a mim eles se dirigiam...



Fui ingênua, eu sei. Fui uma criança brincando

perto demais do fogo...

Procurava me esquentar e no percurso, eu me esqueci

de que o mesmo astro que dá vida e luz

também proporciona queimaduras e dor...



Que será do meu céu sem o sol?

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Texto mara de Danuza Leão

Procurando a dor


Outro dia, na ginástica, ao começar uma nova série com halteres pesadíssimos (para mim, pelo menos), minha coluna deu um grito -ou teria dado, se coluna falasse. O lugar é sensível e muito meu conhecido: nunca me esqueci do dia em que um amigo, ao me abraçar afetuosamente, pressionou com tal força o ponto crucial -para mostrar seu carinho-, que passei seis meses fugindo dele.Voltando à aula: disse a meu professor que não podia continuar, que aquele movimento não ia dar e partimos para outro; no fim da aula ele fez as recomendações de praxe, explicou que a dor é sempre um aviso e que quando ela surge é preciso ficar atenta, para que não volte. E mais: que quando eu chegasse em casa não procurasse a dor.

Como assim, procurar a dor? E alguém procura a dor? Ele explicou que o corpo tem tendência a se testar e procurar a dor, sim, para ter certeza de que ela está lá -ou de que não está mais. Nunca te aconteceu de estar com uma dorzinha (pequena) e provocá-la? Ou vai me dizer que você nunca passou a língua numa afta? Curioso esse nosso corpo; comecei a pensar nos sentimentos e como nos comportamos em relação a eles. Sobretudo a comparar os males do corpo com os da alma, ou falando mais claramente, com os do coração.É verdade; quantas vezes a gente procura a dor sem perceber, e quando encontra não imagina que a tendência dela é sempre aumentar. Se soubéssemos viver -e poucos sabem-, o primeiro sinal de dor emocional deveria soar como um alarme, e deveríamos cuidar para que ele não se repetisse. Só que muita gente faz exatamente o contrário.Quando seu namorado te fez sofrer pela primeira vez -nada de muito grave, ele apenas sumiu por dois dias ou olhou de maneira pouco convencional para sua irmã-, em lugar de voltar para os braços do outro que é gentil, delicado, telefona na hora combinada e te trata como uma deusa, o que você fez? Se apaixonou, e pior: quanto mais ele aprontava mais a paixão aumentava. A cabeça e os sentimentos são bem parecidos com o corpo e costumam procurar uma complicação que vai -pode- nos levar a dores futuras. Qual a graça de uma existência com pessoas que só dizem coisas agradáveis e gentis, namorados que nos fazem felizes o tempo todo? Para muita gente, a graça é viver perigosamente, no limite. Quem não cultiva um amigo bem maldito, que diz maldades vis mas sempre divertidas sobre nossos mais caros amigos? Quem nunca se apaixonou por um homem que nos fez passar por momentos atrozes, sempre em sobressalto, com o coração na boca, sofrendo mas morrendo de medo de que ele fosse embora?

É elementar saber que esse amigo tão divertido vai, assim que você virar as costas, fazer comentários maldosos -e sempre divertidos- sobre você, que quando souber não vai achar a menor graça. E que seu namorado, que faz com que você viva no fio da navalha -isso é que é vida, você acha- vai aprontar cada vez mais, muito mais do que você jamais sonhou, até te deixar arrasada -e sozinha. Quando se fazem escolhas erradas se está procurando a dor, e esta é uma procura inútil; supérflua, eu diria. Não é preciso procurar por ela porque mesmo tentando viver da maneira mais certa, ela nos encontra na hora em que quer e bem entende.E com a maior facilidade.

E-mail - danuza.leao@uol.com.br

Ouvindo e vendo esse clipe... over and over again